|
Por uma Universidade Popular |
![]() |
voltar a pagina da universidade popular
|
|
||||||

Os promotores desta iniciativa, Rui Gomes e Pedro Ferraz de Abreu, tiveram em mente um contributo positivo para uma Historia pouco conhecida, uma homenagem a todos os actores desse tempo, e uma oportunidade de reencontro de amizades e camaradagem.
Dado alguns estranhos (e tristes) episódios que viriam a ocorrer em torno da mostra documental associada a este COLÓQUIO, e para não dar espaço a que se reproduzam, é util ter um registo factual e sobretudo documentado, da origem e percurso desta iniciativa. E pode ser interessante, para quem queira aproveitar a experiência, para outras iniciativas, de forma positiva.
| Nota PFA: a escolha de VLC e GMR foi apenas por serem as pessoas com quem PFA tinha vindo a trabalhar neste tema, nomeadamente recolha de documentos e testemunhos. Ficou bem expresso que ninguém pretenderia ter qualquer "representatividade" especial, face a outros activistas desse tempo. |
Nota PFA: GMR envia esta carta enquanto "antiga presidente da AEFCL antes do 25 de Abril de 1974", e escreve em nome da "Direcção" e "vários colaboradores da altura":
|
| Nota PFA: Nesta data, RG tinha já tornado claro não estar disponivel, nem o CES, para se responsabilizar pela componente Exposição / mostra documental. Dado o rumo que esta componente tomou, PFA também ficou dissociado da Exposição. |
] [ler contexto]
|
Nota PFA: As intervenções no Colóquio, reflectem o novo contexto, por esta alteração do posicionamento de GMR. A explicação desse novo contexto está disponivel aqui. Já a Exposição, agora dissociada deste Colóquio, dada a recusa do Museu (velha Faculdade), tem a partir desta data um percurso que, para igual transparência, merece a sua própria cronologia (e reflexão) complementar a esta. |

EXPOSIÇÃO SOBRE CIÊNCIAS

A minha intervenção neste Colóquio (2024), um desafio que aceitei com gosto, por iniciativa do velho companheiro Rui Gomes, a quem não via desde faz mais de 45 anos, decorreu num contexto inesperado, que me levou a mudar o foco do que tinha em vista dizer. E a falar num registo diferente do meu habitual. Como alguns queridos amigos notaram. Por isso, entendi como útil explicar esse contexto.
[ A diferença, pode ser ilustrada comparando com outra intervenção anterior:
Lutas Estudantis em Ciências e no Secundário: que legado nos deixam?, Biblioteca Nacional, 2019.
]
Qual o contexto inesperado, que levou a esta mudança? A apresentação de Gloria Ramalho, que antecedeu a minha.
Desde logo, num gesto que outros notaram, a Gloria foi descrevendo textos e comunicados de que fui o autor, e até lutas que foram dirigidas por mim, citando vários nomes, mas sem referir, uma unica vez, o meu nome. Não se coibiu pois de salientar nomes: além de projectar o seu próprio (na senda de emails recentes enquanto "Presidente da Direcção" da AEFCL dessa altura).
Este gesto, para mim francamente ridiculo e mesquinho, apesar de irrelevante (pois que todos dessa época (re)conhecem o meu contributo) foi, mesmo assim peculiar; tendo em conta que anteriormente, a Gloria afirmava ser contra "esquecimentos selectivos", entre os tais "factos e narrativas esquecidos" que foi o mote do CES-Universidade Coimbra, para este Colóquio.
Mais relevante e inesperado, foi a Gloria apresentar as lutas em Ciências, e a sua resiliência, como algo derivado estritamente da Associação de Estudantes e do movimento associativo (e como tal, implicitamente, da liderança associativa ... da qual ela tinha sido "a Presidente", de 1970 a 1973 (curiosamente, por proposta minha).
Ora o principal objectivo que tinha sido acordado entre nós (ver cronologia) para este Colóquio e exposição associada, nada tinha a ver com reclamar louros e creditos pessoais (!), mas sim colmatar o "apagão" da linha de orientação "Universidade Popular / Ensino ao Serviço do Povo", repondo a verdade histórica, factual, incluindo as suas origens e organica. Nomeadamente dois pontos incontornáveis:
- Recusar o "apagão" da politica, das organizações politicas clandestinas, e
- Salientar isso mesmo, ao mostrar que esta linha de orientação não era exclusiva do MA de Ciências.
A própria Gloria tinha manifestado, por escrito, partilhar esta visão. Agora, parece ter mudado 180 graus.
Pelo menos eu e o Vasco Lupi, continuamos a reconhecer que a resiliência das lutas em Ciências, mesmo com a Associação fechada, deve-se precisamente a essa dupla base de apoio: a organização politica clandestina (incluindo a sua linha politica para as AAEE, valorizando a formação dos colaboradores, autonomia das comissões de curso, etc.), e a solidariedade, tanto de activistas como das infraestruturas, nas outras escolas onde a nossa linha de orientação tinha força.
Naturalmente, a Gloria, como qualquer outro convidado, é livre de exprimir o que entender. Livre até de dar o dito (antes), pelo seu inverso. Como outros serão livres de a criticar.
O caracter inesperado, advém pois da Gloria não ter exposto a sua posição, afinal divergente do que tinha sido acordado, com o acordo dela, livremente, sobre este Colóquio. Porque circularam textos escritos, e estes foram livremente discutidos numa reunião conjunta final. Um dos textos, como referido, foi precisamente enviado pela Gloria. Podem relê-lo, e assim formar a vossa própria opinião.
Quando chegou a minha vez de intervir, como podem visionar, apresentei a minha divergência sobre a questão politica. Com frontalidade. Não obstante a Gloria "apagar" o meu nome, fiz evidentemente questão de não responder na mesma moeda mesquinha. Falei sem animosidade; e quando fui dando credito a muitos (33 nomes), como é sempre meu habito, (verificável na dita intervenção na Biblioteca Nacional em 2019), o nome que mais citei, foi o da Gloria. Como podem constatar nesta gravação agora (2024).
Naturalmente, em vez de me poder focar apenas nas questões substantivas, como era minha intenção, fui obrigado a gastar tempo a pôr os pontos nos iis, quanto a quem foi o autor / protagonista, do que foi "apagado" - ou atribuido a outrem. Porque "quem cala, consente". Eu nunca serei cumplice desse "apagão": da politica, das organizações clandestinas ... e de quem foi o autor dos meus próprios textos.
Mesmo assim, não obstante este contexto menos feliz, procurei contribuir com um testemunho objectivo, e sobretudo, verdadeiro. Para mim, o mais importante foi dar visibilidade à corajosa luta dos estudantes de Ciências durante a Ditadura, e agradecer aos que nela participaram.
No fundo, estas circunstâncias denotam o mundo real - que nos confronta frequentemente com disputas (e egozinhos). Penso que, no computo geral, o Colóquio foi um evento positivo e esclarecedor, embora tenha ficado aquém do que tinhamos ... sonhado, (sonho, parece ser a expressão certa :-).
Cabe a quem o visionar
, de julgar por si próprio.